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Papel Higiênico.


Hoje, a caminho do trabalho em plena véspera de feriadão, eis que eu vejo o cúmulo do bizarro, estampado em um cartaz de frente para UERJ. Dizia a tal propaganda:

Atentem ao detalhe, envolvido em destacados pontinhos laranja: Ficha Limpa.

Eurico Miranda é ficha limpa!

Não pude deixar de me comover. Vi como a “Lei da Ficha Limpa” eliminou os safados e escroques, deixando apenas gente de bem, honesta e trabalhadora como o injustiçado ex-presidente do Vasco.

Todo mundo sabe que o “Doutor” Eurico não começou a sua carreira falindo a padaria do próprio pai, muito menos que ele acabou com certa revendedora de automóveis levando seus dois sócios a falência. É tudo mentira e intriga, afinal, Eurico Miranda é ficha limpa. O Dinheiro da venda do jogador de basquete Neném, a renda do jogo que desapareceu, todos mentiram. Eurico Miranda é ficha limpa.

Sabe quem mais é “Ficha Limpa”? Ora, nosso querido candidato a deputado Paulo Maluf!

Paulo Maluf é ficha limpa!

Ora vejam só, nada como um dia atrás do outro, não é ex-governador? O Senhor que foi preso injustamente, foi colocado na lista dos procurados da Interpol, agora ter esse atestado de idoneidade no bolso.

Homem bom é aquele que garante que não tem dinheiro no exterior, e que se encontraram algum, pode doar para a Santa Casa de São Paulo. Valeu Ficha Limpa.

E ainda tem gente que tem coragem de dizer que o senhor é preconceituoso!

Ora todos nós sabemos que com o nosso querido Maluf não tem isso, lembra do seu amigo negão? Eu lembro até do nome: Pitta. Até hoje não pagaram os precatórios paulistas, no maior calote que um governo estadual já deu no mercado. Mas era tudo injuria, calunia e difamação.

O senhor já apostava no “Poder ao Pobre, Proletário e Preto” muito antes do tal do Obama. Ficha Limpa é isso aí.

Mas o senhor sempre foi famoso por se relacionar muito bem, desde bem jovenzinho, não é mesmo? Basta olhar essa foto descontraída, aonde Maluf curte um dia legal com seus coleguinhas de juventude.

Sabe quem é o amiguinho de Maluf aí na foto? Seria o Michael Jackson? Talvez o cão Mutlley (medalha, medalha, medalha…). Vamos fazer uma brincadeirinha: descubra você mesmo. Vou dar uma pista: o negócio dele era fechar congressos por aí.

É isso galera. Viram como a “Lei da Ficha Limpa” foi útil? Nada como respeito ao eleitor. Vocês conseguiram mesmo.

Continuem mandando e-mails para os seus amiguinhos e assim sem sair de casa, sem se sujar e – acima de tudo – sem se comprometer, mudar a política. Tá vendo como dá certo?

Respeitáááável Público! O Circo das Eleições Chegou!


O Desafio de hoje foi enviado pelo meu atual chefe. Envia o patrão: “ia pedir para você fazer um artigo sobre as eleições e nossos fantásticos candidatos.”

Então, como chefe é chefe, pulei a fila e hoje vou escrever sobre esse estranho período, que são as eleições.

Eu tinha prometido a mim mesmo que não escreveria sobre as eleições esse ano. Sabia que, se fosse fazer isso, o artigo ficaria gigante, revoltado e ofenderia a todos os meus leitores sem exceções, coisa que tenho evitado por conselho do meu outro chefe, o Sergio. Entretanto sou obrigado a dizer que adorei ter sido desafiado a fazer este artigo, pois me sinto com a obrigação de abrir os olhos de algumas pessoas que ainda acreditam nessa coisa podre, ineficiente, e falida que se tornou a política nacional e mundial.

Quando vejo o horário eleitoral gratuito, renovo minha certeza de que nada de bom pode surgir dessa imundice que se tornou o processo político. As eleições são o mais vulgar concurso de popularidade, um verdadeiro vale tudo para tornar os candidatos em “Patricinhas de Bervley Hills”, e convencer o povo ignorante que aquele “rostinho bonito” ou que aquela “aparência séria e capaz” é verdadeira. É o culto a manutenção da ignorância.

Vale comprar voto com dinheiro público, lançar mentiras e falácias na imprensa, dar banho de loja na Dilma, sentar na frente de favelado e fingir que está escutando o pobre coitado. Dá-me nojo. Mais do que nojo, me dá o mais essencial desejo de revolta.

E antes que comecem os comentários “ah, mas e se…” saibam de uma coisa: não existe concerto. Não existe opção. O sistema está tão inerentemente corrupto – tão essencialmente corrompido – que a única coisa que podemos fazer é rezar para que ele morra, e morra pelo câncer criado por esses vermes que estão no poder.

Peço para os que lêem esse artigo que não tenham medo. A morte é uma parte natural da vida e, quando o processo político falir, uma coisa nova e melhor certamente virá.

Vamos analisar as nossas opções nas urnas:

O Governo

Esse ano nós tivemos que aturar a campanha eleitoral mais cedo do que de costume, afinal, como o atual governo nunca teve a máquina pública a seu favor em uma eleição, Lula e seus comparsas, camaradas, correligionários, ou qualquer coisa que a sua quadrilha esteja usando hoje em dia, ficou ansioso por ativar a compra de votos institucionalizada, disfarçada de assistencialismo – a tal bolsa família – para garantir os tais 18 pontos de vantagem que hoje Dilma apresenta nas pesquisas. Eles controlam as massas e conseqüentemente as eleições. O “jogo político” é de cartas marcadas, e apesar de você detestar a Dilma, ela será a líder máxima do executivo, debruçada na popularidade de um torneiro mecânico. Ah, antes que eu me esqueça, a Dilma lutou contra a ditadura é o K Ralho. Quando a Dilma ingressou na luta armada, ela era comunista, e como tal, ela queria trocar a “Ditadura Militar” pela “Ditadura do Proletariado”, então democrata é o meu pau.

A Oposição

Enquanto isso, o babaca do José Serra, que não tem nem ao menos a coragem de admitir que seja oposição a Lula, vai singrando pra lá e pra cá dizendo: – “eu lutei contra a AIDS, eu criei os genéricos…” sem revelar que na verdade o que ele fez foi rasgar a constituição e quebrar a patente dos laboratórios internacionais, criando o primeiro caso de pirataria governamental que se tem notícia no mundo. É mais ou menos o que o seu camelô preferido faz quando te vende um tênis Mike – ele quebra a patente da Nike. Serra, governar com os recursos dos outros é mole, e roubar pesquisa científica não faz de você o “cara que acabou com a AIDS”.

Olha como sou moderninho, eu voto no verde!

ou

Uiii! Acho que vou votar na Marina e dar a bunda.

Essa é a opção da pequena burguesia, que quer dar uma de “consciente” e não quer se comprometer. É a forma mais fácil de dizer “eu sou diferente do que está por aí, mas não tenho coragem de lutar”. O pequeno burguês, sentado no trono do seu apartamento e vendo a morte chegar, vota na Marina Silva, que tem dois defeitos: ela não tem nenhuma maneira de ganhar por não possuir um curral eleitoral e, mesmo que ela pudesse ganhar, ela não tem absolutamente nenhuma forma de legislar. Ela não tem nenhuma cadeira nas casas – câmara e senado – e para que ela pudesse ter alguma chance de fazer alguma coisa, teria de se vender mais do que uma puta de borracharia. O “Mensalão” teria de virar “Diárião”.

Ok, Manel. Eu li todas essas merdas que você escreveu aí, mas e daí? O que eu faço? Fico sentado na minha casa, olhando o Lula comprar a eleição e dar pra Dilma de presente de Hallowen?

Seria muito adequado, afinal quem já trabalhou com a Dilma disse que ela é a maior bruxa mesmo, mas não faça isso. Siga o pequeno Guia Babaca para as eleições.

O Ideal mesmo é que você não compareça nas urnas. Aproveite o feriado. Carpe Diem. Seu voto não vale nada mesmo, então pelo menos curta o feriado. A multa por não comparecer as urnas é de R$ 3,50. Pague e deixe o sistema político falir. Ele vai.

Existem pessoas que acham que “não estarão cumprindo o seu dever de cidadão” se não forem às urnas. Sem problemas! Dedique seu dia a caridade. Dê aulas de educação moral e cívica em comunidades carentes. Ensine como deveria funcionar a democracia. Mostre o valor do povo, e que o povo não deve ter medo de seus governantes, e sim os governantes é que devem ter medo do povo.

Mas, se mesmo assim, você ainda confia em algum candidato e quer votar, pelo menos siga os passos abaixo:

  1. Não vote no líder das pesquisas.
    1. Pesquisas são manipuladas para te enganar. Não acredite nelas.
  2. Não vote em alguém só porque você não quer que o líder das pesquisas ganhe.
    1. O Voto é uma transferência de poderes políticos. Você elege um representante, alguém em quem você escolhe e confia. Portanto jamais transfira seus poderes políticos por influência de fatores externos, sejam eles quais forem.
  3. Se você não confia em nenhum dos candidatos concorrentes, vote nulo.
    1. O Voto nulo é o instrumento democrático com o qual você pode demonstrar a sua insatisfação com os candidatos concorrentes. Não acredite nas falácias de que “o voto nulo não tem poder”. Eles querem que você fique como uma vaquinha de presépio, votando em branco sempre, se possível. Mesmo que questionem juridicamente a eficácia de um voto nulo, jamais abra mão desse instrumento.
  4. Jamais, sob nenhuma hipótese, vote em branco.
    1. O voto em branco é como dar um cheque assinado e não preenchido para a sua mulher. Você sabe que vai se foder.

É isso,

Sei que foi longo e duro, mas basta relaxar que entra tudo.

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