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A Era do Cup Noodles.


Sempre quero acreditar que sou importante – e que tenho valor –
mas a verdade é que vivo no Admirável Mundo Novo, aquele em que não existe valor individual.

Somos todos números. Um RG, um CPF ou uma matricula – não importa.

As vezes somos um algarismo vermelho em uma planilha de custos.

Dentes de engrenagens maiores que precisam rodar e que rodarão mesmo se este dente não mais existir, ainda que de forma torta e ineficiente. Se você for realmente importante sua ausência causará certo desconforto, senão nem ao menos isso.

Vivemos a sociedade do descartável. O celular descartável, as unhas descartáveis, as lentes descartáveis, as máquinas fotográficas descartáveis, e sua expressão máxima : a pessoa descartável.

Perdemos o conceito do insubstituível, da relação duradoura e da confiança mútua. Tudo que importa é o agora, o mais e o menos e a frieza da matemática.

Um mundo com gênios limitados, mas repleto de mediocridade.

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Índio quer apito? Acho que ele quer outra coisa…


Atendendo a todos.


Alou publico GAY que reclamou da decoração de natal do meu blog!

 Pra quem achou o banner do site machista, segue um presentinho do babaca.

Agora vão procurar um macho e parem de encher meu saco.  🙂

Porque Babaca?


Agora que meu blog chegou a níveis inimagináveis de visitas diárias – 19 – com picos que chegam a fabulosas 84 visitas em dias que consigo botar um ou dois artigos, uma pergunta tem se tornado comum em minha caixa de e-mail: porque “Diário do Babaca”?

O nome “Diário do Babaca” é composto de dois elementos principais: “Diário” e “Babaca”.

A parte “Diário” não possui o sentido de “escrever diariamente” porque, um escritor amador como eu, não consegue viver apenas de suas palavras. O sentido de “diário” é que este blog é um caderninho aonde posso organizar pensamentos, para no futuro poder olhar para trás e dizer: “nossa, como eu era babaca naquela época”. É mais ou menos como o diário de um capitão de navio, ou o do capitão Kirk, como prefiro imaginar.

A parte realmente controversa é o “Babaca”. Como 100% dos meus leitores assíduos são pessoas que me conhecem, amigos queridos que me amam, eles não conseguem de forma alguma admitir que eu sou um babaca, apesar de eu mesmo já ter chegado a essa conclusão. Para facilitar a vida de meus amigos resolvi elencar os quatro principais motivos que demonstram, sem sombra de dúvidas, que eu sou um enorme babaca:

  1. Eu acredito em Deus: Acreditar em uma força superior que te protege e te ajuda é uma idéia que é colocada logo cedo na sua cabeça, quando você ainda é uma criança indefesa e não tem a capacidade de questionar o que lhe é imposto. Não existe um homem barbudo que mora nas nuvens e decide se você vai para o céu ou para o inferno, dependendo de suas escolhas. Isso é um mito. Apesar de saber disso, a educação católica que me foi imposta goela abaixo fez um excelente trabalho em minha mente, e toda vez que estou muito feliz agradeço a Deus por essa graça (apesar de saber que conquistei as coisas por mim mesmo) e quando estou muito triste peço conforto mais uma vez a essa estranha criatura que nunca teve sua existência comprovada, ou ao menos teorizada de forma coerente.
  2. Eu suporto o sistema de produção capitalista, e até gosto dele: Capitalismo no cú dos outros é refresco, e eu continuo trabalhando e defendendo um sistema que enriquece 2% da população mundial, enquanto 98% perdem mais e mais a cada dia. Trabalhei 18 anos de minha vida para comprar o teto que vai ficar em cima da minha cabeça, e ainda fiquei devendo. Quando recebo meu salário, invariavelmente gasto tudo em contas atrazadas e em porcarias tecnológicas, que me dão alguma satisfação imediatista. E olha que eu estou até indo bem. Tem gente que anda cinco quilômetros para ter acesso a água potável, e veja bem, tem gente que come duas vezes por semana, apenas. No jogo do capitalismo eu sou quase um vencedor, e isso me motiva a dar, de bom grado, cinco dias de minha semana para as pessoas que enriquecem as minhas custas, enquanto dou apenas dois dias de minha semana para as pessoas que realmente amo.
  3. Eu não sou violento: As pessoas capazes de usar a força para impor as suas opiniões são sempre respeitadas, seja essa força física ou econômica. Por mais que você queira vestir a máscara da hipocrisia agora, e vir com aquele velho chavão “medo não é respeito”, tente ver a verdade sem preconceitos: você pensa duas vezes antes de levantar a voz para quem é mestre em algum tipo de arte marcial, arma branca ou preferencialmente possua uma arma de fogo. Eu, que simplesmente não consigo ferir nenhum tipo de ser vivo, não possuo o menor respeito. Nego grita comigo na rua, me ofende, bota carro de som alto na minha janela e me obriga a pagar contas com juros abusivos. Fazem-me de gato e sapato. Até meu cachorro late pra mim quando eu não o levo para passear na hora certa. Sou o pior dos bananas. Às vezes peço a Deus que me dê o dom da violência para que eu possa fazer justiça (pelo menos a minha justiça) com as minhas mãos, o que pelos motivos expostos acima me torna um cara duplamente babaca.
  4. Eu pago impostos: O imposto é a formalização da minha babaquice. Meu imposto de renda é o nariz vermelho da minha fantasia de palhaço. Passo um terço da minha vida pagando valores abusivos que são usados para fazer a super útil “Cidade da Musica”, ou para melhorar a vida dos que são absurdamente ricos ou absurdamente pobres, o que não retorna para mim de forma alguma, uma vez que não pertenço a nenhum dos dois grupos. Eu são tão, tão babaca que não tenho nem ao menos a opção da desobediência civil! Meus impostos são automaticamente cobrados ou na minha folha salarial, ou em itens fundamentais a minha sobrevivência, como comida e transporte, de modo que é impossível tomar uma atitude sobre isso. Sou tão babaca que não posso nem ao menos rebelar-me, e isso machuca muito. Sou casado com a babaquice até que a morte nos separe.

    Poderia elencar mais e mais motivos para a minha enorme babaquice, mas creio que esses são suficientes. Agora deixo uma pergunta final: Eu sou ou não sou um babaca?

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