Arquivo da categoria: Cinema

Resposta ao Ouvinte do Podtrash Álvaro Santos Jr.


Oi Alvaro.

Parabéns pelo seu curso de graduação, e sua profissão. Admiro quem vive exclusivamente de cinema. Você poderia nos informar em quantos filmes, e quais filmes são esses em que trabalhou? Gostaria de assisti-los.

Obrigado pelo elogio sobre o bom humor. Nosso podcast é dedicado a filmes que consideramos cultura de massa (e não filmes de arte), com bom humor. Se você encontrou bom humor é sinal que estamos fazendo direito nosso trabalho.

Realmente não sou um especialista, sou apenas uma pessoa que vê filmes e fala o que pensa sobre eles. Se você procura uma opinião mais embasada sobre qualquer assunto (entre eles a arte do cinema novo) você deveria pedir a opinião de seus professores, ou críticos de arte, o que – definitivamente – não é o meu caso.

Você não deveria se irritar com opiniões contrárias a sua, pois vivemos em uma Democracia. Muito mais polêmica surgirá nos episódios a seguir (ainda sobre Mojica) e se você for se irritar, é melhor para de escutar por aqui. Nosso objetivo final é a diversão. Se você não se divertiu, nós inadvertidamente erramos.

Com relação a minhas opiniões sobre o cinema novo aqui vão elas, por escrito para que fique bem claro o que pretendo dizer:

1. O Cinema novo copiava descaradamente os movimentos do “Neo-realismo” italiano e a “Nouvelle Vague” francesa, sendo assim não é verdadeiramente Brasileiro.

2. Foi sucesso no exterior apenas e justamente por copiar as suas estéticas.

3. Era um fracasso retumbante de bilheteria no Brasil.

4. Foi responsável direto pela baixa qualidade do cinema nacional pois alem de fracasso de publico, a baixa qualidade de áudio e vídeo – até hoje discutida – é fruto direto da célebre frase de Glauber Rocha: “Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão”, que tinha a melhor das intenções mas se tornou uma desculpa para a má produção.

5. São filmes (mais uma vez na minha modesta opinião) que só são superados em sua enorme chatice por sua imensa pretensão. Um bando de garotos pretensiosos tentando fazer uma arte que não conheciam sobre assuntos que não dominavam.

Para finalizar, se o Cinema Novo é o máximo que nossa intelectualidade pode produzir, meu deus, estamos perdidos.

Abraços,
E continue a ouvir nosso Podtrash.

O Guia Definitivo do Cinema Trash – A Década de 30


Dracula (1931 film)

Image via Wikipedia

Em post anteriores, começamos a estabelecer em dezoito filmes essenciais que inspiraram – e ainda inspiram – a produção dos gêneros que normalmente rotulamos como Trash.

Para ver estas dicas do início do cinema, você pode ir para esse post.

Depois montamos uma linha de tempo em forma de gráfico que nos permite visualizar a produção do início do cinema (ainda amorfa) e como essa produção começou a ramificar nos primeiros gêneros cinematográficos ditos trash. Veja aqui.

Seguindo com nossos posts que querem mostrar a evolução do cinema trash, vamos começar nossas dicas para a década de 30 aonde já podemos ver estilos mais embasados, e portanto mais facilmente definíveis. Os grandes estúdios de Hollywood vão definir todo o horror/terror que virá nas décadas de 30 e 40, deixando para trás o cinema Europeu que sofre com o mal da Alemanha Nazista e a ascensão de Hitler ao poder em 1933.

Os novos recursos do cinema, introduzidos na década de 30 (som, cores, e a morte dos inter-títulos) nos permitem inovações – como os musicais – e a Universal inicia seu famoso ciclo interminável de filmes de Terror, enquanto a Warner bota violência e corrupção na telona com seus filmes de gangsters.

Damos nossos primeiros passos em direção a pornografia, com a nudez de Hedy Lammar no filme suéco Extase.

Vemos também o nascimento da Republic Pictures e seus filmes B de boa qualidade, em especial Westerns. Na Europa um interminável Fritz Lang luta contra a crise com seu Vampiro de Dusseldorf.

Hattie Mcdaniel vence o Óscar na categoria de melhor atriz coadjuvante e torna-se a primeira pessoa de raça negra a vencer um Óscar.

Em meados da década, com a recuperação da crise de 29, temos terreno fértil para a retomada do cinema, que culminará em 1939 que é considerado por críticos um dos melhores anos de todos os tempos para a sétima arte.

Vale lembrar que estas dicas são diárias, e quem me acompanha no Twitter recebe primeiro.

  1. A Idade do Ouro (L’Âge D’Or) (1930) Frenético e surrealista, essa quase parceria de Dali e Bruñel legou imagens inesquecíveis
  2. Drácula (Dracula) (1931) Bela Lugosi como o eterno Drácula das décadas de 30 – 40, com seu sotaque forte e falas marcantes.
  3. Frankenstein (1931) Boris Karloff Inicia sua luta épica com Bela Lugosi sobre quem é o monstro mais icônico do terror.
  4. M, o Vampiro de Dusseldorf (M) (1931) Fritz Lang encontrou a expressão perfeita para medo,demência,e languidez do assassino.
  5. Monstros (Freaks) (1932) Censurado, impactante, único. Uma mulher acusou o filme por sofrer um aborto durante a exibição.
  6. O Vampiro (Vampyr) (1932) Um sombrio espetáculo de morbidez orquestrado pelo genial diretor dinamarquês Carl Theodor Dreyer
  7. Boudu Salvo das Águas (Budu Sauvé des Eaux) (1932) Comédia que ensina como a caridade pode ser inconveniente.
  8. O Fugitivo (I Am a Fugitive from a Chain Gang) (1932) Inicia o estilo presídio. Cria o formato trabalho forçado/Castigo sádico
  9. Zero de Conduta (Zéro de Conduite) (1933) O melhor ficcional anarquista do séc. 20, este filme vê de forma surreal a rebeldia
  10. Terra sem Pão (Las Hurdes) (1933) Crítica cruel de Luis Buñuel, gélida e pungente,mesmo assim, um filme de estranha beleza.
  11. King Kong (1933) O Mais simpático e cativante monstro de 15 metros de altura. Modificou para sempre os efeitos visuais.
  12. It’s a Gift (1934) Politicamente incorreto de uma forma que apenas uma comédia dos 30 pode ser é o melhor filme de W.C.Fields
  13. O Gato Preto (The Black Cat) (1934) Karloff e Bela Lugosi no mesmo filme? SIM! Satanismo, vingança, necrofilia e traição.
  14. O Triunfo da Vontade (Triumph des Willens) (1934) O Mais épico filme de propaganda Nazista. Magistralmente manipulador.
  15. O Testamento do Dr. Mabuse (Das Testament de Dr. Mabuse) (1932) Mesmo com os anteriores é visto como a continuação do vilão.
  16. A Noiva de Frankenstein (Bride of Frankenstein) (1935) Karloff pode desenvolver o monstro de Mary Shelley nesse humor negro.
  17. O Homem Invisível (Invisible Man, The) (1933) James Whale fez um filme com sonorização impecável, ágil e com ritmo veloz.
  18. O Galante Mr. Deeds (Mr. Deeds Goes to Town) (1936) Filme que deu origem ao remake de 2001 com Adam Sandler e Winona Rider
  19. Daqui a Cem Anos (Things to Come) (1936) “Evite áreas onde bombas caíram pois estão infectadas pela Peste dos Errantes.”

Guia Definitivo do Cinema Trash – Influências do início do cinema.


É Galera, agora fazem quase três semanas de dicas pelo meu twitter, e já formamos – em 18 filmes clássicos – o que é a base que construiu toda a pirâmide Trash.

Como referência, vejam as indicações neste post: https://tremyen.wordpress.com/2011/06/28/o-guia-definitivo-do-filme-trash/

Com esses 18 filmes em mente, montei um infográfico com a evolução destes filmes pelo tempo.

Agora, com a pirâmide pronta, podemos seguir em frente. E que venha a década de 30 e o cinema falado! 😉

O Guia Definitivo do Filme Trash – O inicio do cinema e a década de 20.


Cover of "Dr. Jekyll and Mr. Hyde"

Cover of Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Olá meus caros e fiéis leitores. Quem já me acompanha no Twitter notou que eu  estou dando dicas de filmes, diáriamente, no meu perfil.

A idéia dessas dicas é formar um guia definitivo da evolução do cinema Trash, desde seus primórdios experimentais (década de 20) até o nosso lixo extraordinário de hoje em dia.

Entretanto, o microblog é ótimo para divulgar coisas, mas péssimo para guardar e pesquisar. Mesmo com um numero irrisório de posts, a procura por “tremyen cinema trash” já está babando.

Então este post servirá como um repositório das dicas que serão dadas no Twitter, e uma expansão do mesmo para quem quiser mais informações.

Primeiro você recebe a dica no Twitter, se você se interessar, ou se por algum motivo você perdeu o Tweet, basta vir aqui e dar um confere no filme indicado.

É isso. Sem mais delongas, segue a lista dos filmes já indicados pelo Twitter:

  1. 27-06-2011 : O Gabinete do Dr. Caligari (Das Kabinett des Doktor Caligari) (1919) Essencial, cria a base do que é chamado cinema de Horror.
  2. 28-06-2011:  A Carruagem Fantásma (Körkarlen) (1921) Filme feito na década de 20 que impressiona com seus efeitos até hoje. Visual único.
  3. 29-06-2011: Within Our Gates (1920) Primeiro filme com um diretor negro do cinema, o que irá culminar no movimento Blackexploitation.
  4. 30-06-2011: Dr. Mabuse (Dr. Mabuse, Der Spieler) (1922) Primeiro arqui-inimigo icônico do cinema, alem de mestre trash dos disfarces.
  5. 01-07-2011: Nosferatu, uma Sinfonia do Terror (Nosferatu, Eine Symphonie) (1922) Segunda melhor adaptação de Bram Stoker mesmo em 1922.
  6. 02-07-2011: Häxan (Häxan) (1923) Documentário Mondo Sueco inspirador da cenografia de O Exorcista e o Massacre da Serra Eletrica.
  7. 03-07-2011: O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera) (1925) Classico indiscutível do terror. Um exemplo icônico de vilão.
  8. 04-07-2011: Ouro e Maldição (Greed) (1924) Violentamente homicida, abre caminho para o cinema visceral. Violento, Cativante e perturbador
  9. 05-07-2011: Metrópolis (Metropolis) (1927) Clássico da ficção cientifica de Fritz Lang e primeiro épico do gênero.
  10. 06-07-2011: O Monstro do Circo (The Unknown) (1927) Incrível atuação de Lon Chaney, que abdica de seus braços em nome do amor. 😉
  11. 07-07-2011: Um Cão Andaluz (Un Chien Andalou) (1928) Inicia a Parceria histórica de Luis Bunuel e Salvador Dali, primeiro filme Gore.
  12. 08-07-2011: Le Manoir du Diable (O Castelo do Diabo) (1896) Primeiro filme de terror no cinema. Feito por um pai do cinema: George Melies
  13. 09-07-2011: O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde)(1920) John Barrymore é o inesquecível personagem de Robert Louis Stevenson
  14. 10-07-2011: O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback Of Notre Dame) (1923) A versão mais fiel do clássico de Victor Hugo para o cinema.
  15. 11-07-2011: A Paixão de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne D’Arc) (1928) Denso, visceral e lento com abordagem radical da paixão de Joana
  16. 12-07-2011:  Chantagem e Confissão (Blackmail) (1929) Hitchcock ensina o mundo como deve ser um filme falado, o primeiro da inglaterra.
  17. 13-07-2011: Um Homem com uma Câmera (Chelovek S Kinoapparatom) (1929) Pode ser considerado o primeiro filme com estética independente.
  18. 14-07-2011: Viagem à Lua (Le Voyage Dans La Lune) (1902) Primeiro filme de ficção científica gravado. Baseado na obra de Julio Verne.

Guerreiros, venham briga-arrrrr!


Essa semana saiu o Podtrash do Leslie Nielsen, espetacular homenagem ao saudoso Dr. Remark (não o chamem de Shirley, por favor), do “Apertem os cintos o piloto sumiu”.  Pra quem gosta de cinema (independente de ser trash ou não) é um ótimo episódio.

E a expectativa pelo Podtrash sobre “The Warriors” tá grande!

Tô loco pra ver como vai ficar. A gravação foi muito maneira, e realmente acredito que vai ser o mais bacana de todos. 😎

Resumo, ta dando orgulho de fazer. Estamos com uma taxa de 60 downloads do ultimo episódio, ou seja, a bagaça tá ganhando corpo.

Galera, quero audiência maciça nesse episódio! Conto com vocês! 🙂

Agora eu tenho voz! ;-)


É Galera, finalmente alguem achou que eu tinha algo para dizer!

Minha primeira participação na podesfera pode ser encontrada aqui:

http://td1p.com/podtrash-2-o-abominavel-retorno-de-dr-phibes/

O podcast é sobre filmes trash, aparecam por lá pra dar uma forcinha. 😉

Guia de Cinema Definitivo da Pornô Chanchada – Grad Finale!


É isso galera, chegamos ao final do guia definitivo da pornô chanchada. É chegada a hora de anunciar o nosso grande vencedor.

Não foi uma escolha tão difícil.

Para ser sincero eu já sabia mesmo antes de começar a escrever o guia como um todo. Sem falar sobre o vencedor, gostaria de esclarecer um assunto muito importante: pornô chanchada não é pornografia. O sexo contido em uma pornô chanchada deve ser – no máximo – de leve (o chamado “softcore” americano), o que vai causar a eliminação do maior filme pornográfico já filmado no Brasil, e considerado o terceiro melhor filme pornô de todos os tempos: Oh! Rebuceteio.

Oh! Rebuceteio – infelizmente – é pornografia, logo não pode ser eleito o melhor filme desta lista.

Com isso posto, a escolha é mais do que óbvia: Lá vem ela, a Rainha dos Baixinhos – dessa vez literalmente – Xuxa Meneguel em:

1 – Amor, Estranho amor (1982): Escrito e dirigido por Walter Hugo Khouri, filmado em 1979 e lançado em 1982, este filme tem a curiosidade de ser o primeiro filme de Xuxa Meneguel, ainda lolitinha com 16 aninhos, super ninfetinha. Mas o elenco está longe de parar por aí. Somente pra citar os fodões temos: Vera Fischer, Tarcísio Meira, Íris Bruzzi (super gostosa), Walter Forster, Marcelo Ribeiro (o moleque mais sortudo do mundo), Mauro Mendonça, Otávio Augusto, Rubens Ewald Filho, Matilde Mastrangi (disputando o titulo de mais gostosa do filme com as outras atrizes) e Vicente Vergal. Alem de ser uma pornô chanchada da grossa, com um super elenco não apenas de atores, mas também de gostosas, a história do filme é ótima, polêmica e muito bem filmada. O roteiro, o argumento e a direção também são dignos de nota nesse excelente filme. Vale citar que o nome do menino no filme é o mesmo nome do meio do escritor/diretor do filme, o que me leva a duas conclusões: ou o filme é uma autobiografia e o diretor é filho da puta, ou o filme é uma fantasia sexual do mesmo, coisa que estou longe de criticar.

Tudo começa com Walter Forster (Hugo em idade adulta) chegando a um palacete de São Paulo, que o filme nos faz crer que foi recém adquirido pelo homem, que nesse momento tem a maior pinta de alto executivo bem sucedido. Ao entrar no palacete, o homem começa a ter flashbacks de sua infância, que para ser bem sincero, dá inveja em qualquer moleque macho.

No flashback – que está ambientando nos anos 30 – Marcelo Ribeiro (Hugo em sua infância) é levado por sua avó para a porta do mesmo palacete, e na conversa no meio do caminho já começamos a entender a trama sórdida do filme. Hugo era sustentado por sua mãe, que enviava regularmente dinheiro para a avó cuidar dele em alguma cidade do sul do país, e depois de alguns meses de inadimplência, a avó chuta o balde e joga o moleque na porta da mãe. O problema é que a mãe Ana (Vera Fisher) é uma potranca uber gostosa de luxo que atende a um político poderoso, morando no palacete que na época era um puteiro de luxo.

O Moleque, assim que é apresentado a mãe, começa a sofrer de complexo de Édipo descarado, afinal a Vera Fisher nesse filme está muito gostosa. Começa então a descrição das 48 horas em que Hugo mora em um puteiro abarrotado de gostosas que – sem motivo aparente – ficam taradas e querem dar pra ele a qualquer custo.

Hugo, de banho tomado, olhando sua mamãe. Estaria ele de pintinho duro?

A primeira puta a molestar sexualmente o pobre menino – Ahhh, tadinho – é Matilde Mastrangi no auge de sua forma. Não nego que a primeira vez que vi o filme, em meados de 1989 devia estar na faixa entre 13 e 15 anos e simplesmente não conseguia parar de me imaginar no lugar desse moleque. Essa talvez seja a primeira ereção que me recordo ter obtido.  Alias minha recordação infantil e ter passado esse filme quase todo de pau duro. A desculpa apresentada por Matilde Mastrangi pra comer o moleque é que ela estava de saco cheio de dar para os velhos escrotos que visitavam o puteiro e que ela queria “a inocência” do menino, uma boa desculpa que me convenceu na época.

Enquanto as prostitutas ficam se oferecendo em trajes menores para o felizardo Hugo, diversas tramas paralelas ocorrem no filme. O pano de fundo do cenário é o golpe de Getúlio Vargas para tomar o poder, e ao mesmo tempo que os políticos se divertem na casa suspeita, a política brasileira da época é retratada de forma coloquial. Para ser bem sincero, nem liguei para essa parte do filme.

Neste mesmo final de semana, chega quem faltava para atentar o “pobre” menino. Tamara (Xuxa Meneguel), uma ninfeta atrevida que foi comprada no sul chega a casa para ter seu cabacinho leiloado para o político que pagasse mais. Não preciso nem dizer que a primeira coisa que a putinha faz é seduzir o moleque prodígio e dar pra ele também. Vale lembrar que Tamara não era mais virgem nem em sua orelha.

Xuxa (Tâmara) se preparando para dar um trato no baixinho.
A de Amor, B de Baixinho, C de Coração… E P de Pedofilia!

O Filme é uma obra prima.

Mas participar de uma obra de arte não foi o suficiente para nossa querida rainha dos baixinhos. Xuxa, que estava começando a sua carreira de animadora de programas infantis no Clube da Criança da TV Manchete mais ou menos na mesma época do lançamento do filme em vídeo, se viu em um dilema: nossa, eu não posso ficar com fama de pedófila justamente agora que a minha carreira vai decolar! Começa aí uma longa história judicial onde Xuxa, alegando que no contrato não havia liberação da imagem para vídeo, lança uma liminar judicial mandando recolher todas as fitas originais de locadoras e lojas do país. Porém, o tiro sai pela culatra devido às cópias piratas que continuaram circulando, fazendo do filme uma verdadeira lenda! Quem nunca tinha visto, se interessou.

Hehehe, como as coisas mudam, heim Xuxa?

Mesmo o vídeo de “Amor, Estranho Amor” tendo sua comercialização e distribuição proibidas no Brasil, o filme foi lançado em DVD nos Estados Unidos em 2005, gerando uma nova polêmica. Qualquer brasileiro pode comprar em sites estrangeiros o DVD, por importação. Essa nova polêmica reacendeu o interesse pelo filme, sendo que a produtora de filmes pornô Brasileirinhas encontrou Marcelo Ribeiro (com 34 anos), que aproveitou o momento para fazer um filme pornográfico e se encher de grana. Alem disso deu várias entrevistas, e ainda escreveu um livro.

Meu idolo. Depois de comer todas as gostosas ainda entrou numa grana (e comeu mais gostosas).

Para vocês que leram e gostaram do guia, segue um brinde!

As capinhas para você colocar sua versão pirata do filme em uma caixinha bonitinha.

É isso, e aguardem um novo guia, a ser lançado em breve. 😎

Podtrash, Mais uma Recomendação de Podcast!


Leitores Queridos! Quem curte filmes trash, deveria dar uma olhada nesse podcast:

http://td1p.com/

Muita informação interessante. Aproveitem. 🙂

O Guia de Cinema Definitivo da Pornô Chanchada – parte 7


2 – Aluga-se Moças (1982) : Este é um filme tão Brasileiro que o seu título é um dos erros mais grotescos da língua portuguesa, muito comum em borracharias e bares “pé sujos” espalhados pelo país, assim como o bem apelativo cartaz de venda do filme, com uma Gretchen seminua escondendo os peitinhos.

O elenco, onde os atores homens são totalmente dispensáveis, brilha o melhor cross-over da sacanagem daquela época: Rita Cadilac e Gretchen em uma disputa para ver quem provocava a ereção mais rápida nos espectadores. Claro que não podemos dispensar coadjuvantes do calibre de Índia Amazonense, Tânia Gomide e Lia Hollywood (este filme é uma boa referência de como eram gostosas as chacretes). Apesar de alguns pôsteres de divulgação falsa estarem disponíveis na internet, Xuxa Meneguel não participa deste filme.

Verdadeira obra de arte do machismo brasileiro, o filme apresenta as gostosas da época sendo seduzidas e usadas por homens – sempre uns filhos da puta – como meros objetos de prazer. A “direção” foi creditada para Deni Cavalcanti, mas ela simplesmente não existe, assim como o “roteiro”. Mas quem liga para direção e roteiro quando Gretchen no seu auge de formosura faz um numero “musical” totalmente pelada e com um microfone roçando na buça? Esta cena foi enredo para minhas masturbações adolescentes durante toda minha vida pré-adulta (não que eu não me masturbe mais, apenas a tecnologia evoluiu).

O melhor do filme é Rita Cadilac em sua peregrinação por um emprego, onde ela pudesse trabalhar sem dar a bunda para o seu chefe. Nessa missão ela – felizmente – não consegue obter êxito, dando a bunda para o melhor personagem “chefe” do cinema brasileiro, que depois de comê-la no seu carro a demite no dia seguinte por incompetência.

No final, depois de usadas e abusadas por seus machos, as meninas terminam em um bordel de luxo, onde podem exercer sem preconceitos suas vocações de mulher objeto. Vários tabus da sociedade dos anos 80 como as mães solteiras, divorciadas que não conseguem se colocar no mercado de trabalho, artistas que são obrigadas e executar o “teste do sofá” e assedio sexual no ambiente de trabalho são abordados quase sem querer e de forma muito coloquial neste filme, que é quase uma comédia sexual de costumes da época.

O filme tem várias curiosidades, entre elas o fato de ser um dos filmes Brasileiros com o maior tempo em cartaz nos cinemas: um ano! Um filme quase amador, com titulo errado e praticamente sem argumento foi líder de bilheteria no Brasil por mais de seis meses, tendo ganhado o único prêmio que vale alguma coisa: uma estrondosa bilheteria, o que motivou sua continuação “Alugam-se Moças 2” filme sem Gretchen no elenco e com cenas de sexo enxertadas, não pode ser classificado como pornô chanchada, caindo na classificação XXX.

Devido ao bizarro erro de concordância em seu titulo, e a sua enorme bilheteria o filme foi alvo de uma pergunta de português no exame vestibular de 1983, para ensinar aos aluninhos punheteiros que foram influenciados pelo poder educativo de Gretchen e Rita Cadilac que o titulo estava errado, sendo a forma correta “Alugam-se Moças”. Eu mesmo me confundo até hoje.

É isso. Este é o penúltimo artigo e aguardem o próximo e definitivo numero, aonde será apresentada a melhor pornô chanchada da história do cinema brasileiro.

O Guia de Cinema Definitivo da Pornô Chanchada – parte 6


• 3 – Histórias que nossas babás não contavam (1979): Dirigido por um dos cineastas mais completos do Brasil, Oswaldo de Oliveira (Bacanais na Ilha das Ninfetas, Curral de Mulheres, A Filha de Emmanuelle, Presídio de Mulheres Violentadas, O Incrível Monstro Trapalhão) este é mais um filme do saudoso Lírio Mário “Costinha”, só que desta vez bem acompanhado,  em um elenco com Adele Fátima, Meiry Vieira, Dênis Derkian e Sérgio Hingst entre outros. Existem seis (6) escritores creditados nesse filme (Ody Fraga, Alberto Gavinho, Jacob Grimm, Wilhelm Grimm, Aníbal Massaini Neto e Emanoel Rodrigues), o que é uma coisa inacreditável uma vez que o roteiro é uma revisão à brasileira do conto de Branca de Neve. Neste filme o Rei (Xandó Batista) é assassinado pela malvada Rainha (Meiry Vieira) que queria se casar com o mais novo, bonitão e comedor Príncipe (Dênis Derkian). O Problema é que o príncipe se amarra numa negona e vive comendo a super gostosa Clara das Neves (Adele Fátima), que é a filha do Rei. A Rainha então contrata o mais temível caçador (Costinha) para matar a pobre Clara das Neves. Ao ver o material, Costinha não permite o desperdício de uma mulher tão gostosa, resolvendo então entregar pra Rainha o coração de um veado (poderia ser um viado?), no lugar do coração de Clara das Neves, deixando a heroína na casa dos sete anões (Quinzinho, Litho, Zezinho, Paulinho, Zequinha e João Grandão). Como manda o conto, Clara das Neves assume todos os afazeres da casa, incluídos aí os sexuais. Ao contrário de “O Libertino”, a aparição de costinha é breve, porem genial. O resto do filme não deixa nada a dever, sendo esse outro dos filmes essenciais em sua videoteca (se você for capaz de achar uma cópia por aí). Uma verdadeira ode ao escapismo da dura realidade da era da repressão.

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