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Guia de Cinema Definitivo da Pornô Chanchada – Grad Finale!


É isso galera, chegamos ao final do guia definitivo da pornô chanchada. É chegada a hora de anunciar o nosso grande vencedor.

Não foi uma escolha tão difícil.

Para ser sincero eu já sabia mesmo antes de começar a escrever o guia como um todo. Sem falar sobre o vencedor, gostaria de esclarecer um assunto muito importante: pornô chanchada não é pornografia. O sexo contido em uma pornô chanchada deve ser – no máximo – de leve (o chamado “softcore” americano), o que vai causar a eliminação do maior filme pornográfico já filmado no Brasil, e considerado o terceiro melhor filme pornô de todos os tempos: Oh! Rebuceteio.

Oh! Rebuceteio – infelizmente – é pornografia, logo não pode ser eleito o melhor filme desta lista.

Com isso posto, a escolha é mais do que óbvia: Lá vem ela, a Rainha dos Baixinhos – dessa vez literalmente – Xuxa Meneguel em:

1 – Amor, Estranho amor (1982): Escrito e dirigido por Walter Hugo Khouri, filmado em 1979 e lançado em 1982, este filme tem a curiosidade de ser o primeiro filme de Xuxa Meneguel, ainda lolitinha com 16 aninhos, super ninfetinha. Mas o elenco está longe de parar por aí. Somente pra citar os fodões temos: Vera Fischer, Tarcísio Meira, Íris Bruzzi (super gostosa), Walter Forster, Marcelo Ribeiro (o moleque mais sortudo do mundo), Mauro Mendonça, Otávio Augusto, Rubens Ewald Filho, Matilde Mastrangi (disputando o titulo de mais gostosa do filme com as outras atrizes) e Vicente Vergal. Alem de ser uma pornô chanchada da grossa, com um super elenco não apenas de atores, mas também de gostosas, a história do filme é ótima, polêmica e muito bem filmada. O roteiro, o argumento e a direção também são dignos de nota nesse excelente filme. Vale citar que o nome do menino no filme é o mesmo nome do meio do escritor/diretor do filme, o que me leva a duas conclusões: ou o filme é uma autobiografia e o diretor é filho da puta, ou o filme é uma fantasia sexual do mesmo, coisa que estou longe de criticar.

Tudo começa com Walter Forster (Hugo em idade adulta) chegando a um palacete de São Paulo, que o filme nos faz crer que foi recém adquirido pelo homem, que nesse momento tem a maior pinta de alto executivo bem sucedido. Ao entrar no palacete, o homem começa a ter flashbacks de sua infância, que para ser bem sincero, dá inveja em qualquer moleque macho.

No flashback – que está ambientando nos anos 30 – Marcelo Ribeiro (Hugo em sua infância) é levado por sua avó para a porta do mesmo palacete, e na conversa no meio do caminho já começamos a entender a trama sórdida do filme. Hugo era sustentado por sua mãe, que enviava regularmente dinheiro para a avó cuidar dele em alguma cidade do sul do país, e depois de alguns meses de inadimplência, a avó chuta o balde e joga o moleque na porta da mãe. O problema é que a mãe Ana (Vera Fisher) é uma potranca uber gostosa de luxo que atende a um político poderoso, morando no palacete que na época era um puteiro de luxo.

O Moleque, assim que é apresentado a mãe, começa a sofrer de complexo de Édipo descarado, afinal a Vera Fisher nesse filme está muito gostosa. Começa então a descrição das 48 horas em que Hugo mora em um puteiro abarrotado de gostosas que – sem motivo aparente – ficam taradas e querem dar pra ele a qualquer custo.

Hugo, de banho tomado, olhando sua mamãe. Estaria ele de pintinho duro?

A primeira puta a molestar sexualmente o pobre menino – Ahhh, tadinho – é Matilde Mastrangi no auge de sua forma. Não nego que a primeira vez que vi o filme, em meados de 1989 devia estar na faixa entre 13 e 15 anos e simplesmente não conseguia parar de me imaginar no lugar desse moleque. Essa talvez seja a primeira ereção que me recordo ter obtido.  Alias minha recordação infantil e ter passado esse filme quase todo de pau duro. A desculpa apresentada por Matilde Mastrangi pra comer o moleque é que ela estava de saco cheio de dar para os velhos escrotos que visitavam o puteiro e que ela queria “a inocência” do menino, uma boa desculpa que me convenceu na época.

Enquanto as prostitutas ficam se oferecendo em trajes menores para o felizardo Hugo, diversas tramas paralelas ocorrem no filme. O pano de fundo do cenário é o golpe de Getúlio Vargas para tomar o poder, e ao mesmo tempo que os políticos se divertem na casa suspeita, a política brasileira da época é retratada de forma coloquial. Para ser bem sincero, nem liguei para essa parte do filme.

Neste mesmo final de semana, chega quem faltava para atentar o “pobre” menino. Tamara (Xuxa Meneguel), uma ninfeta atrevida que foi comprada no sul chega a casa para ter seu cabacinho leiloado para o político que pagasse mais. Não preciso nem dizer que a primeira coisa que a putinha faz é seduzir o moleque prodígio e dar pra ele também. Vale lembrar que Tamara não era mais virgem nem em sua orelha.

Xuxa (Tâmara) se preparando para dar um trato no baixinho.
A de Amor, B de Baixinho, C de Coração… E P de Pedofilia!

O Filme é uma obra prima.

Mas participar de uma obra de arte não foi o suficiente para nossa querida rainha dos baixinhos. Xuxa, que estava começando a sua carreira de animadora de programas infantis no Clube da Criança da TV Manchete mais ou menos na mesma época do lançamento do filme em vídeo, se viu em um dilema: nossa, eu não posso ficar com fama de pedófila justamente agora que a minha carreira vai decolar! Começa aí uma longa história judicial onde Xuxa, alegando que no contrato não havia liberação da imagem para vídeo, lança uma liminar judicial mandando recolher todas as fitas originais de locadoras e lojas do país. Porém, o tiro sai pela culatra devido às cópias piratas que continuaram circulando, fazendo do filme uma verdadeira lenda! Quem nunca tinha visto, se interessou.

Hehehe, como as coisas mudam, heim Xuxa?

Mesmo o vídeo de “Amor, Estranho Amor” tendo sua comercialização e distribuição proibidas no Brasil, o filme foi lançado em DVD nos Estados Unidos em 2005, gerando uma nova polêmica. Qualquer brasileiro pode comprar em sites estrangeiros o DVD, por importação. Essa nova polêmica reacendeu o interesse pelo filme, sendo que a produtora de filmes pornô Brasileirinhas encontrou Marcelo Ribeiro (com 34 anos), que aproveitou o momento para fazer um filme pornográfico e se encher de grana. Alem disso deu várias entrevistas, e ainda escreveu um livro.

Meu idolo. Depois de comer todas as gostosas ainda entrou numa grana (e comeu mais gostosas).

Para vocês que leram e gostaram do guia, segue um brinde!

As capinhas para você colocar sua versão pirata do filme em uma caixinha bonitinha.

É isso, e aguardem um novo guia, a ser lançado em breve. 8-)

O Guia de Cinema Definitivo da Pornô Chanchada – parte 7


2 – Aluga-se Moças (1982) : Este é um filme tão Brasileiro que o seu título é um dos erros mais grotescos da língua portuguesa, muito comum em borracharias e bares “pé sujos” espalhados pelo país, assim como o bem apelativo cartaz de venda do filme, com uma Gretchen seminua escondendo os peitinhos.

O elenco, onde os atores homens são totalmente dispensáveis, brilha o melhor cross-over da sacanagem daquela época: Rita Cadilac e Gretchen em uma disputa para ver quem provocava a ereção mais rápida nos espectadores. Claro que não podemos dispensar coadjuvantes do calibre de Índia Amazonense, Tânia Gomide e Lia Hollywood (este filme é uma boa referência de como eram gostosas as chacretes). Apesar de alguns pôsteres de divulgação falsa estarem disponíveis na internet, Xuxa Meneguel não participa deste filme.

Verdadeira obra de arte do machismo brasileiro, o filme apresenta as gostosas da época sendo seduzidas e usadas por homens – sempre uns filhos da puta – como meros objetos de prazer. A “direção” foi creditada para Deni Cavalcanti, mas ela simplesmente não existe, assim como o “roteiro”. Mas quem liga para direção e roteiro quando Gretchen no seu auge de formosura faz um numero “musical” totalmente pelada e com um microfone roçando na buça? Esta cena foi enredo para minhas masturbações adolescentes durante toda minha vida pré-adulta (não que eu não me masturbe mais, apenas a tecnologia evoluiu).

O melhor do filme é Rita Cadilac em sua peregrinação por um emprego, onde ela pudesse trabalhar sem dar a bunda para o seu chefe. Nessa missão ela – felizmente – não consegue obter êxito, dando a bunda para o melhor personagem “chefe” do cinema brasileiro, que depois de comê-la no seu carro a demite no dia seguinte por incompetência.

No final, depois de usadas e abusadas por seus machos, as meninas terminam em um bordel de luxo, onde podem exercer sem preconceitos suas vocações de mulher objeto. Vários tabus da sociedade dos anos 80 como as mães solteiras, divorciadas que não conseguem se colocar no mercado de trabalho, artistas que são obrigadas e executar o “teste do sofá” e assedio sexual no ambiente de trabalho são abordados quase sem querer e de forma muito coloquial neste filme, que é quase uma comédia sexual de costumes da época.

O filme tem várias curiosidades, entre elas o fato de ser um dos filmes Brasileiros com o maior tempo em cartaz nos cinemas: um ano! Um filme quase amador, com titulo errado e praticamente sem argumento foi líder de bilheteria no Brasil por mais de seis meses, tendo ganhado o único prêmio que vale alguma coisa: uma estrondosa bilheteria, o que motivou sua continuação “Alugam-se Moças 2” filme sem Gretchen no elenco e com cenas de sexo enxertadas, não pode ser classificado como pornô chanchada, caindo na classificação XXX.

Devido ao bizarro erro de concordância em seu titulo, e a sua enorme bilheteria o filme foi alvo de uma pergunta de português no exame vestibular de 1983, para ensinar aos aluninhos punheteiros que foram influenciados pelo poder educativo de Gretchen e Rita Cadilac que o titulo estava errado, sendo a forma correta “Alugam-se Moças”. Eu mesmo me confundo até hoje.

É isso. Este é o penúltimo artigo e aguardem o próximo e definitivo numero, aonde será apresentada a melhor pornô chanchada da história do cinema brasileiro.

O Guia de Cinema Definitivo da Pornô Chanchada – parte 6


• 3 – Histórias que nossas babás não contavam (1979): Dirigido por um dos cineastas mais completos do Brasil, Oswaldo de Oliveira (Bacanais na Ilha das Ninfetas, Curral de Mulheres, A Filha de Emmanuelle, Presídio de Mulheres Violentadas, O Incrível Monstro Trapalhão) este é mais um filme do saudoso Lírio Mário “Costinha”, só que desta vez bem acompanhado,  em um elenco com Adele Fátima, Meiry Vieira, Dênis Derkian e Sérgio Hingst entre outros. Existem seis (6) escritores creditados nesse filme (Ody Fraga, Alberto Gavinho, Jacob Grimm, Wilhelm Grimm, Aníbal Massaini Neto e Emanoel Rodrigues), o que é uma coisa inacreditável uma vez que o roteiro é uma revisão à brasileira do conto de Branca de Neve. Neste filme o Rei (Xandó Batista) é assassinado pela malvada Rainha (Meiry Vieira) que queria se casar com o mais novo, bonitão e comedor Príncipe (Dênis Derkian). O Problema é que o príncipe se amarra numa negona e vive comendo a super gostosa Clara das Neves (Adele Fátima), que é a filha do Rei. A Rainha então contrata o mais temível caçador (Costinha) para matar a pobre Clara das Neves. Ao ver o material, Costinha não permite o desperdício de uma mulher tão gostosa, resolvendo então entregar pra Rainha o coração de um veado (poderia ser um viado?), no lugar do coração de Clara das Neves, deixando a heroína na casa dos sete anões (Quinzinho, Litho, Zezinho, Paulinho, Zequinha e João Grandão). Como manda o conto, Clara das Neves assume todos os afazeres da casa, incluídos aí os sexuais. Ao contrário de “O Libertino”, a aparição de costinha é breve, porem genial. O resto do filme não deixa nada a dever, sendo esse outro dos filmes essenciais em sua videoteca (se você for capaz de achar uma cópia por aí). Uma verdadeira ode ao escapismo da dura realidade da era da repressão.

O Guia de Cinema Definitivo da Pornô Chanchada – Parte 5


  • 4 – O Libertino (1973): Dirigido e escrito por Victor Lima, este filme é talvez o mais raro exemplar de colecionador do cinema nacional, perdendo apenas para “Amor, estranho Amor”. Estrelado por ninguém menos do que o maior comediante do Brasil, Lírio Mário da Costa, o Costinha o elenco fica por ai, destacando-se apenas Fernando José e as putas, digo, atrizes contratadas pra enfeitar o filme.  Apesar desse defeito de elenco, não podemos deixar de homenagear o show dado por Costinha, que é praticamente um filme a parte, mostrando o artista completo que ele foi. No filme o Comendador Emanuel (Costinha) e seu amigo Alceu (Fernando José) são dois babacas, diretores de uma liga de moralidade que dedicam sua vida à defesa dos bons costumes e ao combate a pornografia. A tal liga da moralidade não dá dinheiro, de modo que o comendador se encontra em graves problemas financeiros, e então decide alugar parte de sua mansão para um colégio de moças, que na realidade é um enorme puteiro de luxo. O comendador ao ficar próximo da sacanagem, vai ficando maluco e se descobre como o maior taradão punheteiro. Não preciso comentar que a transformação de bom moço em velho tarado, sempre com frases de duplo sentido e as caretas e olhares que apenas Costinha poderia realizar está na antologia do cinema nacional, e é um absurdo que o comediante não tenha ganhado nenhum prêmio por essa irreverente e simplesmente genial atuação. A cena aonde Costinha, com seu binóculo mostra seu lado voyer e fica observando o festival de belas bundas atrás de uma árvore é pornô chanchada pura, mostrando absolutamente todas as características do movimento: O homem preso pela sociedade (ditadura militar), tentando burlar a repressão, o olhar masculino sob controle, a idealização do malandro como modelo para os homens e a mulher como objeto de adoração e contemplação. Este filme é obrigatório em qualquer estudo do cinema nacional.

O Guia Definitivo da Pornô Chanchada parte 4


Melhores Obras – Continuação

  • 6 – A Super fêmea (1973): Dirigido por Aníbal Massaini Neto e escrito por Lauro César Muniz, essa comédia sexual é quase um manual de como escrever uma pornô chanchada. Com um roteiro que até um mongolóide pode entender, a ninfetinha e ainda debutante no cinema Vera Fisher (este foi seu segundo filme, depois de Sinal Vermelho) é mostrada de todos os ângulos possíveis e imagináveis. O elenco é muito esquisito e mal escalado, com participações bizarras como Décio Piccinini (ele mesmo, direto do banco de jurados do SBT) e Silvio de Abreu (fazendo uma ponta?!?!). Filme de um machismo agressivo revela todas as características do movimento da pornô chanchada, entre eles o controle total do homem sobre a câmera, a mulher como objeto de prazer e adoração e a transposição dos desejos do homem, dominado pela ditadura militar, para o universo ficcional do cinema. Neste filme uma empresa de comprimidos vai lançar um anticoncepcional masculino que é imediatamente recusado no mercado, porque ele pega a fama de brochar seus clientes. Para reverter à situação é contratado um especialista de propaganda que começa a seleção de uma modelo para ser a garota propaganda do remédio, baseado em sua genial análise de que o homem quer três coisas: mulher, jogo e café. Uma das características desse filme é a escolha de nomes escrotos para personagens, como Onam Della Mano e Comendador Rollo Maschio.

  • 5 – Rio, Babilônia (1982): Dirigido pelo incomparável Neville de Almeida e escrito por Ezequiel Neves e João Carlos Rodrigues, esse filme é um mergulho de cabeça no submundo da hipócrita alta sociedade carioca. Na minha modesta opinião é o melhor trabalho de direção de Neville em toda a sua extensa carreira (sem nenhum trocadilho com as carreiras de cocaína que correm soltas nesse filme). Indicado ao kikito de ouro de melhor filme e ganhador do kikito de ouro de melhor produção e figurinos.  No elenco, quem diria, uma Cristiani Torloni super liberal, dando (literalmente) o seu melhor nesse filme quase pornô, graças à magistral direção de Neville. Mas ela está muito bem acompanhada em um dos elencos mais bem escalados do cinema nacional, com: Joel Barcellos, Jardel Filho, Norma Bengell, Tânia Bôscoli, Paulo Villaça, Antônio Pitanga, Paulo César Peréio, Denise Dumont e Pedro Aguinaça. Marciano (Joel Barcelos) é um promoter no Rio de Janeiro que é contratado para ciceronear o milionário mato-grossense Liberato (Jardel filho) que mora nos Estados Unidos, em uma breve passagem pela cidade maravilhosa. O promoter não deixa por menos, e leva nosso amigo turista em orgias e bacanais que deixariam Dercy Gonçalves com vergonha, tudo regado a coca aí na geladeira. No meio do filme tem uma traminha água com açúcar da repórter Vera Moreira (Cristiani Torloni) que tenta provar que Liberato é na verdade Mr. Gold, o perigoso contrabandista de ouro entre mato-grosso e Estados Unidos, mas isso desaparece totalmente dentro da putaria alucinada e sem pudor que o filme se torna. Este filme tem a clássica cena da piscina, que é tão bem filmada que algumas pessoas juram que tá rolando mesmo uma orgia completa na cena.  Um filme  que critica acidamente a alta roda, e é absolutamente imperdível.

O Guia definitivo da Pornô Chanchada parte 3.


Melhores Obras – Continuação

  • 9 – Fuscão Preto (1982): Dirigido por Jeremias Moreira Filho e escrito (ou seria defecado?) por Chico de Assis, este raríssimo filme é estrelado por ninguém menos que a rainha dos baixinhos, Xuxa Meneguel, que é figurinha fácil das pornôs chanchadas (vocês verão o nome dela ainda nessa lista). O elenco é absurdamente pobre e a trama do filme beira o surreal, afinal é baseada em um misto da música homônima de Almir Rogério com o clássico da Disney “E se meu fusca falasse”.  Este filme fala do amor de um carro Volkswagen (?!?!) por Diana (Xuxa Meneguel). O ambiente é uma típica cidade do interior, onde o prefeito está empenhado em persuadir Lucena (Dionísio Azevedo) a substituir sua criação de cavalos por uma plantação de cana de açúcar. Para isso, força o casamento de seu filho com Diana, filha de Lucena. O fuscão preto (?!?!?!) tenta impedir esse casamento e Marcelo (Denis Derkian) busca uma forma de vencer o fuscão, seu rival, tentando domar (?!?!?!) o automóvel. O Fuscão Preto cria um clima de medo e curiosidade e a estória possui o final mais bizarro e surrealista do cinema nacional: a bisonha cena de sexo entre Xuxa e o FUSCÃO (não, eu não estou de sacanagem, é sério). Este filme é absolutamente imperdível.

  • 8 – A Dama do lotação (1978): Talvez a melhor adaptação da obra de Nelson Rodrigues para o cinema. Dirigido por Neville de Almeida (grande diretor brasileiro) esse filme possui um dos melhores elencos da época, contando com Sonia Braga, Nuno Leal Maia, Jorge Dória, o fantástico Paulo César Peréio e Claudio Marzo entre outros. Esse filme é sobre uma filha da puta chamada Solange (Sônia Braga) que tem um namoro só de beijinho e abraço durante anos com Carlos (Nuno Leal Maia), Carlos desesperado por sexo se casa com Solange sem fazer o “test drive” e Solange se recusa a dar pra ele na noite de núpcias. Carlos fica puto e estupra Solange pra ver seus direitos conjugais respeitados e Solange desenvolve nojo pelo marido, não permitindo mais que ele a toque. Mas Solange já havia sido iniciada no maravilhoso mundo do sexo, e então para resolver seus problemas sexuais começa a dar pra desconhecidos, selecionados no ônibus coletivo (daí o titulo do filme). Solange é tão filha da puta que dá inclusive para o melhor amigo de Carlos e para o próprio sogro (Jorge Dória).

  • 7 – Os Sete Gatinhos (1980): Mais um filme dirigido por Neville de Almeida e livremente adaptado da obra de Nelson Rodrigues por Gilberto Loureiro. É difícil de descobrir se o filme é um drama ou uma comédia.  Nove em cada dez brasileiros viram esse clássico do cinema brasileiro em algum momento de sua vida.  Indicado para o kikito de ouro de melhor filme e vencedor do kikito de ouro de melhor atriz coadjuvante para Telma Reston, este filme conta com um dos melhores e mais inspirados elencos do cinema nacional, entre eles Antônio Fagundes, Lima Duarte, Telma Reston, Ary Fontoura, Claudio Corrêa e Castro, Sadi Cabral e Regina Casé. Noronha (magistralmente interpretado por Lima Duarte) é um frustrado funcionário de uma repartição pública, que se sente humilhado por sua condição de continuo nessa repartição. Pai de quatro filhas, Noronha tolera que suas três filhas mais velhas (entre elas Regina Casé dando um banho de representação) se prostituam para que sua filha mais nova, Cilene (Cristina Aché), tenha a melhor educação possível e possa montar o enxoval perfeito para seu casamento. O problema é que o gostosão Bibelô (Antonio Fagundes) quer curtir uma de pedófilo e tira o cabaçinho de Cilene. Totalmente despreparada e abandonada por Bibelô, Cilene acaba expulsa de seu internato após matar uma gatinha prenha a pauladas, sendo devolvida para a desestruturada família pelo diretor do colégio (Ary Fontoura) em uma das cenas mais engraçadas do filme, que imortalizou a frase -“Tem leite aí?”. A partir desse momento, Gorda (Telma Reston no melhor papel de sua carreira), a esposa de Noronha, tem uma verdadeira catarse e toma conta do filme, revela todos os segredos sórdidos e transforma essa família em uma sarjeta humana. 

O Guia definitivo da Pornô Chanchada Parte 2.


Principais Obras

É difícil determinar qual seria a primeira obra de referência do movimento das pornôs chanchadas, mas nós podemos facilmente identificar a obra que seria a avó deste movimento: Rio 40 Graus. Este excelente filme é provavelmente a única coisa boa que o cinema novo produziu. Um filme forte e marcante de Nelson Pereira dos Santos, já continha em 1955 alguns dos elementos que podemos associar a pornô chanchada como: roteiro simples em sua maioria realista, nudez frontal, sexo ”softcore”, a mulher como objeto de contemplação e a visão do homem como o comandante da câmera.

Olhando meus filmes preferidos, cheguei a mais de cinqüenta filmes que devem ser assistidos entre 1964 e 1992, todos com a estética inconfundível da pornô chanchada. Para não encher muito o saco de vocês, fiz uma lista com as 12 mais importantes pornôs chanchadas produzidas, sendo esse o meu guia de referência para o movimento. Estes filmes são essenciais para quem se diz fã do gênero.

  • 12 – A Menina do Lado (1987): Espetacular filme de Alberto Salvá e Elisa Tolomelli, conhecido por ser a versão Brasileira de Lolita. Nesse filme Reginaldo Faria interpreta Mauro, um jornalista que vai para uma casa de praia em Búzios e fica taradão na filha de sua vizinha, Alice (Flávia Monteiro). As cenas de sexo simuladas entre os protagonistas são espetaculares e Flávia Monteiro com os seus quinze aninhos dá um espetáculo de interpretação (a mãe dela estava nos sets para garantir que o sexo seria realmente simulado) rendendo a Reginaldo Faria o Kikito de ouro de melhor ator no festival de gramado e a menção especial para Flávia Monteiro, alem de ser indicado como melhor filme, titulo que perdeu para Anjos do Arrabalde, um filme muito merda, diga-se de passagem.

  • 11 – Barra Pesada (1977): Filme escrito e dirigido por Reginaldo Faria, vencedor de cinco prêmios, entre eles quatro kikitos de ouro em gramado e o prêmio de melhor edição da associação dos críticos de arte de São Paulo. O Elenco é fabuloso, sendo praticamente todos os atores dignos de nota, como: Stepan Nescessian, Milton Moraes e Mário Petráglia. Nesse filme um bandidinho ladrão de galinha que é filho de uma prostituta que se suicidou é acharcado por dois policiais corruptos. O filme é fortíssimo, e mostra todo o submundo carioca daquela época. Obra prima.

  • 10 – Bonitinha, mas ordinária (1981): Dirigido por Braz Chediak e escrito por Sindoval Aguiar e Doc Comparato é uma adaptação da obra de Nelson Rodrigues, com Vera Fisher, Lucélia Santos, Milton Moraes e José Wilker. Maria Cecília (Lucélia Santos) quebra seu carro perto de uma favela e é estuprada violentamente por cinco negões, entre eles Banzo Africano (fazendo o papel dele mesmo!). O Pai de Maria, o poderoso Dr. Werneck (Carlos Kroeber) decide que sua filha tem que se casar antes que a criança nasça e manda que seu capachão, Peixoto (Milton Moraes) encontre entre os empregados de sua empresa um otário pra se casar com a menina. O otário escolhido é  Edgard (José Wilker) que é perdidamente apaixonado por Ritinha (Vera Fischer).  Começa então o Dilema do pobre Edgard: ficar milionário se casando com Maria Cecília ou procurar o amor de Ritinha.

O Guia definitivo da Pornô Chanchada Parte 1.


Contexto Histórico

Após a mudança de serviço, resolvi começar a nova fase do blog com um texto bem leve, sobre um assunto muito bacana que tomou conta não só da minha adolescência, como a de  muitos outros da minha idade, os filmes de comédia com sexo “softcore” que povoou o cinema brasileiro do final da década de 60 até o fim da década de 80.

Pra entender o que é uma pornô chanchada, é necessário voltar um pouco no tempo e entender o contexto do cinema do país antes deste que é um dos únicos movimentos cinematográficos verdadeiramente brasileiros.

Na pré-história do cinema brasileiro existiam três grandes estúdios: O primeiro deles, chamado Cinédia fazia um cinema cópia descarado do que era produzido nos Estados Unidos. Entre os filmes de referência deste estúdio estão “Alô, Alô Brasil” (1935) e “Alô, Alô Carnaval” (1936).

Vendo o sucesso da Cinédia, um segundo estúdio foi criado com o nome de Vera Cruz,  que surge da vontade de alguns diretores de fazer um cinema de melhor “qualidade” do que o cinema meramente importado dos Estados Unidos (que era o sucesso de público da época). Nesse estúdio aparecem os primeiros nomes do famigerado movimento do Cinema Novo, entre eles Lima Barreto e Gláuber Rocha. A principal característica deste estúdio está na cópia descarada de estéticas européias, como o neo-realismo  italiano e a nouvelle vague francesa.

O Terceiro e mais conhecido (até pelo seu sucesso de publico) chamava-se “Atlântida”. Criou uma linha de filmes chamada “Chanchadas”, que eram filmes de comédia musical água-com-açúcar que eram muito populares e com enormes bilheterias, sendo nessa época revelados ídolos que estão por aí até hoje como Carmem Miranda, Oscarito, Grande Otelo, Carlos Machado e Walter D’Ávila. Com o passar do tempo o estúdio evolui das comédias musicais e passa para novos filmes de comédia de costumes, sendo o único a produzir cinema brasileiro para o publico brasileiro, apesar da fortíssima influência norte-americana.

O Movimento do “Cinema Novo”, apesar de ser um sucesso de crítica no exterior justamente por copiar as suas estéticas, era um fracasso retumbante de bilheteria no Brasil, culminando com a falência da Vera Cruz em 1954.  Este movimento endeusado pelos livros de história foi na verdade o movimento que assassinou o cinema brasileiro. Ao contrário do que muitos acreditam a baixa qualidade do cinema nacional não foi criada com as pornôs chanchadas, que apenas viveram o reflexo do fracasso de publico do cinema novo.  A baixa qualidade de áudio e vídeo do cinema nacional, até hoje discutida, é fruto da célebre frase de Glauber Rocha: “Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão”.

Com o golpe de 64, o movimento do cinema novo entra em xeque-mate. A sua única qualidade, que era a temática realista, não pode mais vir a tona graças à repressão da censura, e ao fato de todo o financiamento de um cinema que não dá bilheteria vir da farra do dinheiro publico.  Toda critica social é barrada pelo AI-5, e conseqüentemente o cinema novo é sepultado definitivamente.

Nesse contexto os cineastas precisavam trabalhar, e então o cinema inicia um movimento de reencontro com o publico brasileiro, procurando em suas origens o que o povo brasileiro realmente gostava: as chanchadas da Atlântida.  Outro elemento é que as pornôs chanchadas não eram financiadas com o dinheiro da Embrafilme, então tinham que dar lucro para investidores, de modo que os elementos de nudez e sexo softcore eram uma garantia de bilheteria e retorno do investimento.  Nesses momento está criado o terreno para o principal movimento de retomada cinematográfico brasileiro, as Pornôs Chanchadas.

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